"Nós, Europeus", é o slogan do PS para as eleições europeias. Depois de ter visto este cartaz na rua com a fotografia do respectivo cabeça de lista, o mui distinto constitucionalista Vital Moreira, dei por mim a pensar se não faria mais sentido o slogan "Nós, Africanos". Digo-o não por uma questão de menosprezo pelo continente africano, e muito menos pelos seus povos, que muito respeito me merecem, mas sim pelos sistemas políticos e pelas suas classes dirigentes, onde graça o compadrio e a corrupção. Infelizmente, hoje em Portugal conseguimos encontrar nas nossas classes dirigentes tiques de despotismo, e comportamentos que se encontram nos antípodas dos regimes democráticos.O nosso País atravessa uma grave crise. Uma crise que está muito para além da crise económica mundial. Os Portugueses não acreditam nos seus políticos, nas suas instituições, nos seus empresários, e pior do que tudo isto, não acreditam em si próprios. A sociedade vive em profunda letargia!
O Sr. Presidente da República no discurso que proferiu na Assembleia da República no passado dia 25 de Abril, expressou a sua preocupação com a crescente falta de confiança dos Portugueses na sua democracia, questionando se terá sido este o País com que sonharam há 35 anos atrás. Salientando muitos dos aspectos positivos alcançados ao longo destes anos, deixou contudo um sério aviso aos partidos políticos e à comunicação social. Aos mesmos disse que é preciso falar com verdade. "As forças políticas devem-se apresentar a eleições com os programas que efectivamente pretendem pôr em prática, e devem discuti-los sem reservas durante as campanhas eleitorais. A comunicação social por sua vez, deve cumprir única e exclusivamente a sua função de veículo transmissor, e nada mais do que isso".
Não tenho dúvida de que grande parte da descrença dos Portugueses nos seus governantes ,resulta da falta de honestidade intelectual dos mesmos, que durante a campanha eleitoral prometem uma coisa, e uma vez eleitos fazem outra bem diferente. Contudo, considero que actualmente, esta já não é só a única razão para justificar a desconfiança com que os Portugueses olham para os políticos na sua generalidade.
O modelo está esgotado! As pessoas já perceberam que não elegem quem querem, mas sim aqueles que os partidos impõem! O que é que justifica que os cabeças de lista distritais na maioria dos casos nada tenham que ver com as populações que os elegem?! O que é que justifica, que os partidos políticos sejam coniventes com dirigentes seus que cometem ilegalidades e actos de elevada falta de transparência?!
O Sr. Presidente da República disse no seu discurso, que se os índices de abstenção nas próximas eleições mantiverem a tendência verificada nos últimos anos, que estaremos perante um grave problema de legitimidade democrática. Eu penso que esse problema já se coloca, e de forma categórica!
É urgente reformar a nossa democracia! Precisamos de políticos e governantes sérios, precisamos de um sistema judicial efectivamente independente, e precisamos sobretudo de voltar a acreditar que somos capazes de exigir a democracia que merecemos!






























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